MISSÃO DO FARMACÊUTICO

 

 

Nobre profissão

 

“O papel do farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital. O farmacêutico representa o elo de ligação entre a medicina e a humanidade sofredora. É o atento guardião do arsenal de armas com que o médico dá combate às doenças. É quem atende às requisições a qualquer hora do dia ou da noite. O lema do farmacêutico é o mesmo do soldado: servir. Um serve à pátria, outro à humanidade, sem nenhuma discriminação de cor ou raça” Monteiro Lobato

 

O profissional magistral vem crescendo cada dia seja na arte de manipular, seja no cuidado ao paciente, e tudo isso, valorizando a verdadeira essência da profissão, a promoção da saúde e qualidade de vida da população.

Entretanto como nasceu essa profissão? Existem algumas hipóteses. Publicações afirmam que a sua origem se deu no século XIII quando surgiram os primeiros boticários em Portugal, porém outros livros dizem que foi no mundo árabe que tudo começou, na primeira metade do século IX.

Mas segundo a história, desde o início da humanidade a atividade do farmacêutico era importante para a saúde. Há mais de 2.600 anos, os chineses já desenvolviam remédios por meio da extração de drogas das plantas.

Há mais de 1.500 anos os egípcios preparavam medicamentos a partir de vegetais, sais de chumbo, cobre e ungüentos de banha de leão, hipopótamo, crocodilo e cobra. E na Grécia, os processos de cura aconteciam no interior dos templos. O grego Hipócrates, o pai da medicina, também marcou o tempo para a cura, quando classificou os grupos de medicamentos, dividindo-os em narcóticos febrífugos e purgantes.

No Brasil, século 18, só existiam curandeiros e boticários. As primeiras boticas foram criadas por jesuítas, entre elas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Rio de Janeiro. Numa delas os jesuítas irmãos boticários, formulavam receitas que eram mantidas em segredo, e a mais famosa foi criada no colégio da Bahia, a “Triaga Brasílica”, com 79 componentes que curava muitas doenças.

As boticas eram principalmente lojas de ervanários, depósitos de drogas e remédios vindos da Europa, e fórmulas aqui manipuladas.

No início do século 19, ocorreu um crescimento no número de boticas e um decreto foi feito para a prática farmacêutica, que procurava evitar que ficasse aglomerado o número de estabelecimentos em somente um local. A fiscalização das boticas era feita pela “Physicatura-Mor”. Para se abrir uma botica teria que ter 4 anos de experiência como “fazedor” de remédios.

No período colonial, como existia farmacopéia de vários autores, D. Maria I, tornou como padrão a “Farmacopéia Geral” de Francisco Tavares. Porém depois de 12 anos de trabalho o farmacêutico brasileiro Rodolpho Albino Dias da Silva, concluiu a “Farmacopéia Brasileira” em 1920, que passou a ser a farmacopéia adotada oficialmente. Rodolpho com seu amor pela botânica, e pela farmacognosia trabalhou por todos esses anos se dedicando dia-a-dia a elaborar essa Farmacopéia, que diferentemente de outros países,  que formam  comissões de médicos, farmacêuticos, biólogos entre outros, foi feita somente por esse dedicado farmacêutico.

Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, outro importante nome da história da saúde, foi um dos precursores da farmácia no Brasil, com seus livros - Formulário e Guia Médico e o Dicionário de Medicina Popular e das Ciências. “Esses livros revelavam aos letrados da época, os conhecimentos dos recursos da natureza, das plantas com efeitos medicinais, seu preparo e suas indicações terapêuticas”, comenta Paulo Queiroz Marques, da Associação Brasileira para a Preservação da Memória da Farmácia.

Em 1809, foi dado o primeiro passo para o estabelecimento dos Cursos de Farmácia no Brasil, e como no resto do mundo, o ensino de farmácia começou nas faculdades de medicina.  Em 1898, foi fundada a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, inicialmente com o nome de Escola de Pharmácia de São Paulo.

Em 1832 a regência instituiu, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o curso de Farmácia, com a duração de 3 anos. A partir desse ano, passou a ser necessário o registro do diploma ou título de farmacêutico para o exercício da profissão.

No ano de 1934 a Escola de Pharmácia de São Paulo, passou a integrar a Universidade de São Paulo – USP.

Com o passar dos tempos ocorreram algumas reformulações na grade curricular dos Cursos de Farmácia no Brasil, e atualmente a duração de cada um deles é de 4 anos. “Hoje, as matérias estão com caráter muito mais humano do que técnico, o que pode ser considerado um avanço na profissão”, conta Francisco Caravante Jr, presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo - CRF/SP.

Foi criada em 1931 a primeira Legislação Farmacêutica feita pelas autoridades sanitárias da época com auxilio da Associação Brasileira de Farmaceuticos - ABF.

Com a evolução do crescimento demográfico, o governo de Getúlio Vargas, convidou laboratórios farmacêuticos da América do Norte e da Europa para aqui se instalar, oferecendo vantagens e isenções de tributos. Considerando a crise após guerra e o desenvolvimento da nova terra, logo várias empresas acorreram ao convite, aproveitando as vantagens oferecidas.

Com novas tecnologias, modernos recursos terapêuticos e científicos e muito dinheiro, as novas indústrias revolucionaram a cultura e hábitos brasileiros. O que a farmácia fazia um a um, a indústria os fazia em série, às centenas. A clientela das farmácias de manipulação de uma hora para outra, tornou-se escassa.

Em 1960 foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia, a fim de reestruturar a profissão, como recurso para resgate da identidade. Atualmente toda a atividade profissional farmacêutica, está sob jurisdição do Conselho Federal de Farmácia, que regulamenta e disciplina o exercício da profissão com base na lei 3.820 assinada pelo presidente Jucelino Kubitschek.

Muito aconteceu no decorrer dos anos, e desde a década de 90 muitos fatos aconteceram que mudaram a trajetória da categoria.

Em 1998 um desafio de reverter a lógica, baseado na dependência, onde o medicamento surge como um instrumento de dominação técnica e econômica, levou a deputada Jussara Cony, a apresentar, na Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, a proposta de uma construção coletiva, denominada Fórum pela Vida – Projeto Plantas Vivas.

Em 2005 o Fórum em sua 8ª edição, extrapolou as fronteiras gaúchas, através da compreensão do significado estratégico do aproveitamento da biodiversidade brasileira para a construção de um Projeto Nacional-Desenvolvimentista, Sustentável e Soberano.

 “É essa experiência que queremos compartilhar, levando em consideração o ambiente democrático que vivemos, com a realização de Conferências Nacionais visando a traçar, articuladamente, um projeto como a I Conferência de Assistência Farmacêutica, a II Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, a XII Conferência Nacional de Saúde, a II Conferência Nacional de Meio Ambiente” conta Jussara que também é farmacêutica. 

O fato mais importante que aconteceu em 2005 foi a luta dos farmacêuticos com mobilizações, ações e posicionamento em relação à Consulta Pública 31 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, publicada no Diário Oficial da União do dia 18 de abril, com o propósito de criar novo regulamento destinado à substituição da RDC 33/2000 para as Farmácias de Manipulação.

A Consulta Pública nº 31/2005 propõe que as farmácias de manipulação não poderão comercializar produtos em apresentação e concentração equivalentes às fornecidas pela indústria farmacêutica, veta a propaganda, publicidade ou promoção de manipulações para o público em geral e para os prescritores, proíbe a distribuição de receituário com qualquer tipo de identificação do estabelecimento farmacêutico, entre outros itens relevantes.

A deputada Alice Portugal, uma das personalidades públicas que apóiam o setor magistral, participou  com a Anfarmag, na entrega do parecer técnico sobre o texto da CP 31 ao presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, e  expôs as diversas iniciativas tomadas para assegurar um amplo debate acerca da nova regulamentação do funcionamento das farmácias de manipulação, “a defesa das farmácias magistrais está em plena sintonia com a defesa da soberania nacional, já que as pressões para a imposição de restrições ao funcionamento das farmácias de manipulação partem exatamente dos grandes laboratórios multinacionais, que querem impedir a venda de medicamentos com preços menores do que os seus”, completou a deputada que também é farmacêutica.

Para o presidente do CRF-SP, “podemos destacar a ação importante que foi a manifestação sobre a CP 31, em parceria com a Anfarmag, que fez com que o prazo da Consulta Pública fosse adiado e as propostas rediscutidas pela Anvisa”.

Hoje, acima de tudo, deve-se conscientizar a população do papel social do profissional de farmácia que atua em diversos segmentos, entre eles a farmácia de manipulação, que é o resgate da verdadeira missão do farmacêutico, a essência dos antigos boticários que além de manipular os medicamentos eram como amigos e zelavam pela saúde da família.

“Independente da área de atuação, o farmacêutico deve viver em função do usuário final de medicamento, a saúde dele é o principal objetivo do nosso trabalho”, completa Caravante.

Lidar com a saúde é, além de nobre profissão, uma verdadeira missão, pois exige muita dedicação e renúncias. Isto não faz estes profissionais mais importantes do que outros, mas indica que o servir deve estar muito presente nas propostas de vida de quem escolhe esta área.

A formação farmacêutica transmutou muito no século passado, mas a identidade do farmacêutico frente ao medicamento foi intensamente consolidada. Sendo este o profissional que tem um conhecimento privilegiado sobre o medicamento em todas as suas etapas construtivas - da planta ao medicamento e sua dispensação com orientação.

Para o farmacêutico e professor Gérson Antônio Pianetti diz “O preparo profissional em nossas Universidades e Faculdades isoladas, deve levar à compreensão dos futuros profissionais que a saúde, e não a doença, deve ser o alvo da atuação farmacêutica. Ao entrar em um local onde realmente se pratica uma atenção farmacêutica, o cidadão praticamente entrega toda a sua esperança nas mãos do profissional o qual, ele sabe, foi preparado para compartilhar suas dores e ser estimulado de forma a voltar a uma vida saudável como se deseja para todos os cidadãos”.

Pianetti completa “se a sociedade ainda não conseguiu descobrir isto, cabe a nós demonstrar que o caminho para um bem viver, quando necessário, passa pelas mãos do farmacêutico. Autoconfiança, honestidade e segurança são os ingredientes indispensáveis para que cada vez mais tenhamos ao nosso lado um público que confia totalmente em nosso trabalho e a manipulação, retomada bravamente nos últimos anos, será ainda o diferencial que apontará com muita clareza um dos reais papéis do farmacêutico. Com qualidade e segurança, os produtos manipulados serão no futuro uma verdade que nenhum poder econômico conseguirá ocultar".

Por tudo isso e muito mais, nada mais justo do que o profissional farmacêutico ter um dia para comemorar. No dia 20 de Janeiro de 1916 foi fundada no Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Farmaceuticos – ABF. Como todos os dias 20 de janeiro dos anos seguintes havia uma reunião de confraternização, e mediante a aprovação dos farmacêuticos da época, Otto Cezar Granado, oficializou o dia 20 de janeiro como Dia do Farmacêutico.

A partir daí tornou-se uma tradição e profissionais de todo o país passaram a participar das festas do dia vinte, juntamente com o então presidente da ABF, Rodolpho Albino.

Como o farmacêutico é extremamente importante, onde tem suas raízes ligadas à pesquisa, manipulação e dispensação dos medicamentos, nada mais justo que um dia para comemorar fundamental profissão, lembrando que o trabalho do farmacêutico deve ser valorizado todos os dias.

 

 

Box 1

Ensino

Segundo a relação de cursos de graduação do INEP/MEC:

- No Brasil em março de 2004, o número de cursos de farmácia em funcionamento é de 210.

- Distribuição dos cursos por região do país

Sudeste: 115 – 54,8%

Sul: 50 – 23,8%

Norte: 9 – 4,3%

Nordeste: 19 – 9%

Centro-Oeste: 17 – 8,1%

- Distribuição dos cursos:

Estado                                         Número de cursos

São Paulo                                               62

Minas Gerais                                          25

Paraná                                                    22

Rio de Janeiro                                        19

Rio Grande do Sul                                  17

Santa Catarina                                        11

Espírito Santo                                           9

Goiás                                                         5

Mato Grosso do Sul                                   5

Bahia                                                         4

Distrito Federal                                          4

Amazonas                                                  3

 

 

 

Box 2

Estatística

Segundo a Comissão de Fiscalização do Conselho Federal de Farmácia – CFF, tinha no Brasil em dezembro de 2003:

 

Farmacêuticos inscritos                                        85.571

Farmácias e drogarias de leigos                           41.503

Farmácias e drogarias de farmacêuticos                9.746

Farmácias de manipulação                             3.958

Farmácias hospitalares                                         5.195

Farmácias homeopáticas                                                    931

Laboratórios de análises clínicas                                        7.373

Indústrias farmacêuticas                                                     721

Distribuidoras                                                             4.027

 

 

Box 3

Curiosidades

 

Anúncios das Boticas

 “Na Rua de São Pedro, nº 100, vende-se pílulas, ungüentos, linimentos, elixires, pomadas, vinhos, que curam febres e males venéreos até ataques nervosos e hemorróidas” (Jornal do Commércio, janeiro de 1846).

 

 “Na Farmácia Inglesa, à rua do Ouvidor nº 50, vende-se uma fórmula ainda não conhecida no Brasil, superior a tudo até hoje conhecido, capaz de tingir de linda cor preta cabelos, suíças e sobrancelhas" (Jornal do Commércio, 1847).

 

Curiosidades das Boticas

 “No tempo de Machado de Assis a medicina caseira estava lado a lado com o saber dos esculápios e fazia o que era possível na luta contra as doenças. Para constipações, suadouros; para febres, quinino; para asma, cataplasmas; dores de cabeças, Antipirina; dor nas cadeiras, banho de malva; insônia, um cordial; loucura, o Hospício de Pedro II. Era usada água de Melissa pura para “sossegar os nervos” e água de colônia para os casos de desmaio” (Miécio Tati, “O Mundo de Machado de Assis”).

 

 “A botica vende tudo”,

Vende da purga ao sudário,

Só não vende por cautela

A língua do boticário” (Luiz Edmundo: O Rio de Janeiro no tempo dos Vice-Reis)

 

Símbolo do farmacêutico

O emblema, a taça enrolada com uma serpente, é conhecido em todo mundo. Segundo literaturas antigas, o símbolo da farmácia ilustra o poder (cobra) da cura (taça).

 

 

Olho 1

Hoje, acima de tudo, deve-se conscientizar a população do papel social do profissional de farmácia que atua em diversos segmentos, entre eles a farmácia de manipulação.

 

Olho 2

O fato mais importante que aconteceu em 2005 foi a luta dos farmacêuticos com mobilizações, ações e posicionamento em relação à Consulta Pública 31 da Anvisa

 

  VOLTAR